A Copa do Mundo 2026 a ser realizada no período entre 11 de junho a 19 de julho, nos Estados Unidos, México e Canadá, estreia com as novas regras aprovadas pela International Football Association Board (IFAB), entidade mundial responsável por gerir regras para o futebol. As mudanças terão impacto direto no comportamento dos jogadores, na atuação dos goleiros, atuação dos árbitros e uso do VAR, com novas atribuições. Prioritariamente as mudanças visam combater a cera e o antijogo. A novidade é a chamada “Lei Vini Jr”, que será aplicada pela primeira vez e irá punir com cartão vermelho o jogador que cobrir a boca com o objetivo de ocultar manifestações discriminatórias, falas ofensivas e inadequadas dirigidas ao adversário durante o jogo.

Em reportagem para o LANCE!, a jornalista Nathalia Gomes destacou as seguintes novidades: a) “laterais e tiros de meta terão limite de cinco segundos para cobrança após a contagem do árbitro – com reversão da posse ou marcação de escanteio em caso de demora”; b) “Jogadores substituídos terão dez segundos para deixar o campo, enquanto atletas atendidos pela equipe médica precisarão permanecer ao menos um minuto fora do jogo; c) “O VAR também passa a poder corrigir rapidamente erros em escanteios e tiros de meta, além de revisar expulsões por segundo cartão amarelo”.
Em relação a chamada “Lei Vini JR”, a nova regra é uma resposta ao incidente envolvendo o jogador brasileiro Vinicius Jr, atacante do Real Madrid e eleito pela FIFA o melhor jogador em 2024 e convocado para a seleleção brasileira, e o argentino Gianluca Prestianni que o chamou de “macaco”, no jogo entre Benfica e Real Madrid da Liga dos Campeões da Europa. Vini Jr denunciou Prestiani, que foi punido pela Uefa com seis jogos de suspensão. Outro incidente que levou a IFAB a introduzir nova mudança, diz respeito ao ocorrido no confronto entre a seleção de Senegal e a seleção de Marrocos, adversária na estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026.
Na final da última Copa Africana de Nações, Senegal abandonou o campo em protesto contra um pênalti marcado a favor do Marrocos, país anfitrião, nos minutos finais da partida. Depois de 15 minutos de interrupção, os senegaleses voltaram a campo. O jogador Brahim Díaz acabou desperdiçando o pênalti e a seleção de Senegal acabou levantando a taça. Embora a Confederação Africana de Futebol tenha posteriormente retirado o título, decisão que foi contestada na Corte Arbitral do Esporte (CAS). A nova regra determina que qualquer equipe que abandonar o campo em protesto contra uma decisão de arbitragem perderá a partida por WO e qualquer jogador ou treinador que incitarem outros jogadores a deixar o campo serão expulsos.
Mudanças aprovadas pela IFAB
- Cobranças de lateral: caso o jogador demore mais de cinco segundos para realizar a cobrança após o início da contagem do árbitro, a posse será invertida e o lateral passará para a equipe adversária.
- Tiros de meta (tempo de cobrança): se a reposição não for executada dentro de cinco segundos após a contagem do árbitro, será assinalado escanteio para o time adversário.
- Substituições: o jogador substituído terá até dez segundos para deixar o campo após a exibição da placa de alteração. Caso não cumpra o tempo, o substituto só poderá entrar após um minuto de jogo (cronômetro corrido)
- Atendimento médico: qualquer jogador atendido pela equipe médica deverá permanecer fora de campo por, no mínimo, um minuto antes de retornar ao jogo.
- Comunicação com o árbitro: competições poderão adotar a diretriz que permite somente ao capitão da equipe dialogar diretamente com o árbitro sobre decisões da partida.
- Controle de tempo do goleiro: os árbitros passarão a utilizar um sinal visual indicando os últimos cinco segundos do limite de oito segundos em que o goleiro pode controlar a bola com as mãos ou braços.
- Bola ao chão: se a paralisação ocorrer dentro da área penal, a bola será reiniciada com o goleiro defensor; fora da área, ficará com a equipe que teria a posse ou, em caso de dúvida, com quem tocou por último, sempre no local da interrupção.
- Toque acidental fora de campo: quando comissão técnica, reservas ou jogadores fora de campo tocarem na bola enquanto ela já estiver saindo e sem intenção de interferir, será marcado apenas tiro livre indireto, sem punição disciplinar.
- Impedimento em lançamentos do goleiro: a posição de impedimento passará a ser definida a partir do último ponto de contato com a bola nas reposições feitas pelo goleiro.
- Excesso de tempo do goleiro com a bola: caso o goleiro mantenha a posse por mais de oito segundos dentro da área penal, o adversário será beneficiado com a marcação de escanteio.
- Critérios para tiro de meta: o regulamento passa a incluir referências a outras leis do jogo para esclarecer melhor as situações que resultam na marcação.
- Critérios para escanteio: o texto passa a integrar outras regras relacionadas e determina que, em punições ao goleiro, a cobrança seja feita do lado mais próximo à posição dele.
- VAR em escanteios e tiros de meta: o árbitro de vídeo poderá corrigir rapidamente marcações equivocadas entre escanteio e tiro de meta, sem necessidade de revisão no monitor.
- VAR em segundo cartão amarelo: o árbitro de vídeo poderá interferir em possíveis erros quando um jogador for expulso após receber o segundo cartão amarelo.
- Anúncios do VAR: as competições poderão permitir que o árbitro anuncie publicamente a decisão final após uma revisão ou checagem prolongada do VAR.
- Substituições em amistosos internacionais: partidas amistosas da categoria principal “A” poderão ter até oito substituições por equipe, com possibilidade de acordo entre os times para ampliar o número até o máximo de onze alterações.
- Equipamentos dos jogadores: itens considerados não perigosos passarão a ser permitidos, desde que estejam devidamente cobertos e fixados de forma segura.
- Câmeras corporais para árbitros: competições poderão autorizar o uso de câmeras corporais instaladas no peito ou na cabeça dos árbitros, sendo a organização responsável pelo fornecimento e controle das imagens.
- Toque duplo em pênaltis: será incorporado o entendimento já divulgado pela IFAB de que toques duplos acidentais do cobrador terão tratamento específico previsto na regra, evitando interpretações divergentes.
- Vantagem em infração que impede chance clara de gol: quando o árbitro aplicar vantagem e o gol for marcado mesmo após uma falta que impediria uma oportunidade clara, o jogador infrator não receberá cartão, já que a jogada terminou em gol.
(Com informações da Gazeta Esportiva/ESPN/LANCE!)

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