Publicado originalmente por Diário do Centro do Mundo: Os Estados Unidos realizaram ataques militares contra a Venezuela neste sábado (03), em uma ação liderada pelo presidente Donald Trump. O objetivo, segundo avaliação de Alfredo Toro Hardy, diplomata venezuelano, é enviar uma mensagem estratégica aos países latino-americanos próximos à China. A ofensiva ocorre enquanto Washington reforça seu controle sobre o Hemisfério Ocidental, considerado essencial para sua segurança nacional.

O diplomata destacou que a pressão de Trump sobre Caracas não é apenas contra a Venezuela, mas parte de uma disputa geopolítica mais ampla com Pequim. A medida americana sinaliza aos aliados latino-americanos da China a necessidade de cautela diante da presença militar e econômica dos EUA na região.
A relação entre a Venezuela e a China tem se fortalecido nos últimos anos, com o país sul-americano acumulando uma dívida superior a US$ 60 bilhões. Esse valor representa quase metade do total do financiamento chinês na América Latina e envolve as maiores reservas de petróleo do mundo, um ponto de atenção para Washington.
Além dos interesses econômicos, Caracas adotou alinhamento político completo com Pequim. Diferentemente de outros países da região, que mantêm relações comerciais sem compromissos geopolíticos, a Venezuela integra plenamente a estratégia chinesa de influência internacional.
Oficialmente, o governo chinês criticou as ações americanas e pediu respeito à soberania venezuelana. Em conversas reservadas, porém, Pequim avalia ganhos políticos e econômicos decorrentes da tensão. A ação dos EUA, segundo diplomatas, também contribui para desgastar a imagem internacional americana.
No ano passado, a China recebeu representantes da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em Pequim. O vice-chanceler Miao Deyu alertou os países latino-americanos a resistirem às pressões dos EUA, demonstrando a estratégia chinesa de reforçar sua influência no Sul Global sem confrontos militares diretos.

O contexto das operações em Caracas remete à chamada “Doutrina Donroe”, versão de Trump da histórica Doutrina Monroe, que visa consolidar a hegemonia dos EUA no Hemisfério Ocidental. A presença chinesa na América Latina e o crescimento do comércio com o continente desde 2000 mostram que a região se torna cada vez mais estratégica para Pequim.
Para Alfredo Toro Hardy, a postura agressiva de Trump pode ter efeito contrário ao esperado. Em vez de isolar a China, a pressão americana fortalece a imagem do país asiático como parceiro confiável e consolida sua influência na América Latina, aproximando ainda mais os países da região de Pequim.
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